domingo, 29 de junho de 2008

Eu e o meu melhor amigo

Por Pe Fábio de Melo, scj.
4/18/2006
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O meu melhor amigo morreu numa tarde triste de sexta feira. O sol ainda era quente e o calor era intenso. Morreu de um jeito cruel. Vítima de um sistema político e religioso que não sabia entender que Deus prefere os miseráveis. Morreu porque amou demais, morreu porque não sabia mentir.O meu melhor amigo não sabia ser indiferente. Viveu o tempo todo recolhendo os que estavam caídos e desacreditados. Ele foi um ser humano inesquecível. Entrava em lugares proibidos e dormia na casa de pessoas abomináveis. Trocou santos por Zaqueu, doutores por Mateus. Não se preocupava com que os outros estavam achando dele, mas ocupava-se de sua vida como se cada instante vivido fosse o último.Meu melhor amigo tinha o poder de ser irreverente. Ele olhava nos olhos dos fracassados e lhes restituía a coragem perdida. Segurava nas mãos dos cansados e os convencia que ainda lhes restavam forças pra chegar.O meu melhor amigo era desconcertante. Tinha o dom de confundir os sábios e encantar os simples. Eu um dia também me encantei com ele. Chegou num dia em que eu não sei dizer qual foi. Chegou numa hora que eu não sei precisar. Sei que chegou, sei que veio. Entrou pela porta da minha vida e nunca mais o deixei sair. Somos íntimos. Minha fala está presa à dele. Eu o admiro tanto que acabo tendo a pretensão de querer ser como ele. Já me peguei cantando pra ele os versos de Tom Jobim: “Não há você sem mim e eu não existo sem você!” Ele sorri quando eu canto.Meu melhor amigo me ensina a ser humano. Ele me ensina que a vida é uma orquestra linda, mas dói. Ele me ensina a apreciar os acordes tristes... e aí dói menos. A beleza distrai a tristeza. Foi assim que eu assisti à sua morte na sexta feira santa. Eu sabia que era passageira. Era apenas um interlúdio feito de acordes menores, dilacerantes de tão tristes. Meu amigo não sabe ser morto. Ele gosta é de ser vivo, vivente! E é assim que eu entendo a dinâmica da Ressurreição. Quando digo: “Ele está no meio de nós!” eu estou convidando o meu amigo a ser vivo através de mim. Quem ama de verdade leva sempre a criatura amada por onde vai. E é assim que o amor vai se tornando concreto no meio de nós. É assim que a vida vai ficando eterna... e a gente vai ressuscitando aos poucos...Hoje eu acordei mais feliz. Nada de especial me aconteceu. Apenas me recordei que meu melhor amigo ainda acredita em mim, apesar de tudo. Eu sou um legítimo representante de sua ressurreição no mundo. Não posso me esquecer disso. As pessoas olham pra mim... eu espero que elas não me vejam... eu espero que vejam o meu melhor amigo, em mim.

Abraço pra quem leu! Obrigada! ;)

sábado, 28 de junho de 2008

Para início de conversa

"Se o talento vem de Deus, nunca há de se ocultar!" (Grecco)

Não sei fazer isso tão bem como deve ser, mas escrever é a maneira mais agradável que encontrei para colocar em prática o que estou sentindo, o quero dizer às pessoas ou o que penso sobre determinado assunto. Juntar as frases que passam por minha cabeça e escrevê-las num pedacinho de papel é parte da minha rotina e isso já faz um bom tempo.
Inspirada por uma das músicas do grande compositor e cantor Leoni, resolvi mostrar o que tenho escrito nos últimos dias.
Agora nada de guardar em armários... Tudo, ou quase tudo, que estiver em um pedacinho de papel já tem destino definido: BLOG!

“Guardo pra te dar
As cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto
(...)
E as pilhas de envelopes
Já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço
Fazem montes pela sala
Hoje são a minha cama
Minha mesa, meus lençóis...”
(As cartas que eu não mando – Leoni)

Abraço pra quem leu! Obrigada! ;)